Esqueça a pirâmide alimentar

Por Andrés Calil em 25 de Junho/2020 às 15:20

Desde cedo aprendemos que a pirâmide alimentar, com grãos e pães em maior quantidade do que outros alimentos, é a base de uma alimentação saudável. Porém sabemos dizer de onde saíram essas informações?

Segundo Edriano Martins, a pirâmide foi criada com interesses políticos e não tem relação com uma vida saudável. Edriano, formado em Educação Física, com Mestrado em Nutrição é idealizador do programa Saúde Plena e se posiciona como apaixonado por educação e por proporcionar meios para que as pessoas mudem o estilo de vida.

Fizemos uma breve entrevista para entender seus pontos.

Os problemas da pirâmide alimentar

TSN: Edriano, você defende o fim da pirâmide alimentar que todos nós conhecemos e aprendemos na escola. Por que?

Edriano: Defendo o fim dessa pirâmide por uma série de motivos, primeiro ela é uma espécie de experimento feito em larga escala com a população dos Estados Unidades e que infelizmente foi copiada pelo mundo inteiro. Digo isso porque nunca existiu uma evidência científica sólida que justificasse as orientações dessa pirâmide. Transformar algo de baixa evidência em política pública é perigoso.

Ela é baseada em pesquisas que são repletas de conflitos de interesse, e possui alta interferência do departamento de agricultura americano, foi uma espécie de união do útil ao agradável, ou seja, o interesse em fazer a população comer mais grãos somado ao medo infundado dos alimentos de origem animal.

Ainda hoje, existe um forte lobby da industria alimentícia que interfere nas diretrizes alimentares. Estamos chegando numa situação em que será impossível seguir as diretrizes sem comer comida processada, pois a comida natural não é capaz de oferecer as quantidades de nutrientes nas proporções que essas diretrizes recomendam. Um exemplo disso é a quantidade recomendada de gordura saturada, que é uma gordura natural, segura, e presente na maioria dos alimentos. Estão sugerindo comer tão pouco desse tipo de gordura, que só comida feita em fábricas poderão cumprir essas regras.

Tecnicamente, a pirâmide alimentar defende a redução de consumo dos alimentos mais nutritivos que existem, que são os alimentos de origem animal, ao mesmo tempo em que recomenda que a dieta de todas as pessoas seja composta de grãos e cereais, que são alimentos pobres.

Nas redes sociais Edriano propõe uma mudança da pirâmide

Hoje já temos pesquisas de qualidade que mostram que restringir alimentos de origem animal não tem suporte na ciência.

Além disso os grãos e cerais são ricos em carboidratos, que é um nutriente não essencial para nós, pois nosso fígado é capaz de produzir todo o carboidrato que precisamos.

Acredito que uma coisa está clara, depois que o governo decidiu interferir na dieta da população, criando essa pirâmide, mergulhamos na maior crise de saúde pública da história. A partir da criação dessa pirâmide a obesidade mundial atingiu níveis alarmantes. E as doenças relacionadas com obesidade também! Diabetes, doenças cardíacas, câncer e derrames são as maiores causas de morte no mundo. Todas são doenças causadas por maus hábitos alimentares.

Eu arrisco dizer que essa pirâmide matou, e ainda mata, mais gente do que todas as guerras mundiais juntas!

TSN: Dessa forma, o glúten é sim o vilão que muita gente prega?

Edriano: É difícil dizer que o glúten é um vilão. Ele é uma proteína que só existe no trigo, na cevada e no centeio. Ele é uma espécie de “anti-nutriente”, que é uma toxina das plantas que evita que a gente tenha muita vantagem ao come-las.

Muita gente desenvolve intolerâncias graves ao glúten. Essas pessoas não podem nem comer alimentos que foram preparados com os mesmo instrumentos em que se processa o glúten. A reação alérgica é bem forte!

Mas existem algumas teorias que defendem a hipótese de que ele provoca uma série de problemas menores e desconfortáveis em pessoas que não possuem o diagnóstico de intolerantes.

Porém existem mais relatos do que estudos reais sobre melhora de dores articulares e alergias ao parar de comer glúten. Mas também existe a teoria de que tirar o glúten da dieta faz as pessoas emagrecerem. Por isso virou febre comprar alimentos sem glúten.

Eu vejo isso com outros olhos. As pessoas que deixam de comer glúten fazem isso deixando de comer alimentos feitos com trigo, que é um ingrediente da maioria das massas. Elas emagrecem porque reduzem o consumo de alimentos pobres, ricos em carboidratos, como pães e biscoitos.

Colocar a culpa da obesidade no glúten é diferente de culpar os alimentos que contém glúten. E nisso, o marketing das indústrias pega carona: produzem os alimentos com farinhas de raízes ou outros cerais, como arroz, que não possuem glúten.


O glúten em si não é o problema, e sim os carboidratos de péssima qualidade que vem com ele. Alimentos sem glúten com os mesmos carboidratos são igualmente ruins.

Se o problema fosse o glúten, as pessoas emagreceriam comendo tapioca e biscoito de arroz, mas é lógico que isso não acontece.

Você pode optar por uma dieta sem glúten e também sem tantos carboidratos. Se não quer comer glúten, coma carnes, aves, peixes, ovos, frutas e vegetais coloridos. Nenhum deles tem glúten e são bem mais nutritivos.

Acredito que o faz as pessoas sentirem um bem estar ao pararem de comer glúten não se deve ao glúten, mas por reduzirem o consumo de comida processada de baixa qualidade. E lá tem glúten. Se é o glúten que causa o problema ou não, não dá pra saber.

Uma coisa é fato, a nossa necessidade de glúten é zero. Basta pensar que o glúten só chegou nas Américas por volta do ano de 1500. Se glúten fosse importante, todos os índios que moravam aqui teriam a saúde prejudicada.

A pirâmide alimentar corrigida

TSN: Então qual é a pirâmide alimentar correta? Se é que podemos manter o formato de pirâmide ainda.

Edriano: O formato de pirâmide é péssimo, pois ele sugere quantidades e proporções. Isso só é necessário quando a qualidade da comida é ruim e feita para as pessoas comerem mais do que o necessário.

Ao invés de sugerir uma pirâmide, eu gostaria de sugerir algumas regras simples.

Primeiro, evitar ao máximo o consumo de comida processada, que são massas, sucos, açúcares, gorduras adicionadas e alimentos repletos de substâncias químicas comestíveis. O fato de tirar esses caras da jogada já melhora a saúde das pessoas absurdamente. Fazendo isso, sobra a comida caseira, aquela que não possui lista de ingredientes. Se o alimento for feito pela mãe natureza e você comer esse alimento com o mínimo de processamento, a chance dele te fazer mal é bem baixa.

Segundo, priorizar sempre os alimentos mais nutritivos que existem, que são os alimentos de origem animal (todos eles) in natura, vegetais coloridos e legumes. Se isso for a base da dieta, não precisa se preocupar com quantidades e proporções, porque esses alimentos têm tudo o que você precisa. Para quem come alimentos completos, as necessidade diárias de cada nutrientes serão geridas pelo próprio corpo.


A pirâmide corrigida consiste principalmente em alimentos naturais não processados

Aqui vai uma informação que pouca gente sabe, mas ovos e fígado bovino têm quase tudo o que uma pessoa precisa para viver. E estou falando de viver bem, com saúde! As carnes também são bem completas. Junto de vegetais e legumes não falta nada.

E por último, comer comida de baixa qualidade apenas de for um momento muito especial, para desfrutar do prazer. É pra isso que serve pizza, batata-frita e sorvete. Jamais trate essas coisas como fonte de nutrição. São apenas para momentos de prazer, não para a rotina.

TSN: Considerando essas informações, aquelas dietas radicais de corte de carboidratos estavam certas? Elas são saudáveis?

Edriano: O excesso de carboidratos é um problema grande na dieta moderna, principalmente porque as pessoas comem muito de carboidratos de baixa qualidade.

Se você fizer uma dieta repleta de carboidratos naturais, como raízes, frutas, legumes e até grãos, você não vai ficar doente. Mas comer a mesma quantidade de carboidratos processados vai acabar com a sua saúde.

O problema não é o carboidrato, é a qualidade dele. 

Como a dieta das pessoas hoje em dia é muito ruim, temos um somatório de fatores: a pessoa come bons carboidratos junto com péssimos carboidratos. A coisa aí fica feia!

O carboidrato é um nutriente não-essencial, se você não comer mais nenhum, seu fígado produz o necessário e ainda sobra. Mas tirar os carboidratos pode não  ajudar a pessoa a perder peso. Tem gente que tira os carboidratos e come uma porção de receitas preparadas com farinhas especias sem carboidratos, mas muito calóricas. Elas também não emagrecem.

Se você tirar os carboidratos da sua dieta, você jamais ficará doente.

Se você comer comida de qualidade rica em carboidratos, também jamais ficará doente.

A restrição de carboidratos é importante em portadores de diabetes e demais sintomas de síndrome metabólica. É uma ótima forma de perder peso, desde que a pessoa use essa estratégia para comer menos calorias.

TSN: Tem alguma consideração final ou conselho para passar para os nossos leitores?

Edriano: Ter uma alimentação saudável é muito mais fácil do que as pessoas imaginam. É triste ver como algumas pessoas realmente acreditam que ter uma dieta saudável significa não comer mais coisas gostosas.

Claro que envolve algum esforço, mas é muito mais fácil do que parece. Se a pessoa passar mais de 80% das refeições dela comendo só alimentos saudáveis e nutritivos, pode apostar que tem espaço para uma pizza, um doce ou uma cerveja vez ou outra.

O que deixa as pessoas doentes são duas coisas, uma é tentar ser saudável comendo de acordo com a pirâmide alimentar e ainda comer umas besteiras de vez em quando, a outra é achar que a vida existe apenas pra comer porcaria.

Para ficarmos doentes, tem que “dar muita porrada no corpo, sem dar nem um pouco de descanso”. Diabetes, doenças cardíacas, gordura no fígado e mais outras, são doenças de quem está agredindo o corpo por muitos anos.

Dá pra ser saudável sem deixar de aproveitar a vida! Basta não achar que a vida é só aproveitar.

Eu não conheço ninguém que mudou o estilo de vida e achou que perdeu mais do que ganhou. 

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