As Vacinas contra o novo Coronavírus

Por Andrés Calil em 07 de Julho/2020 às 10:00

Ninguém mais aguenta ficar em casa e todos aguardam ansiosamente uma salvação milagrosa que nos permita voltar ao mundo como era antes do carnaval. A princípio existem apenas duas alternativas que salvarão o mundo dessa enrascada, uma é a imunização de rebanho, a outra é a criação de vacinas eficientes. Mas precisamos ser cautelosos tanto com uma quanto com a outra saída, pois ambas as soluções devem enfrentar muitos desafios ainda.

Caso você não tenha certeza do que os termos coronavírus, covid-19, sars-cov-2 e coisa parecida significam, vale a pena dar uma lida nessa matéria aqui: Covid, Coronavírus, Sars-Cov, Epidemia, Pandemia, entenda o que significa cada coisa.

O que é a imunidade de rebanho?

Quando uma pessoa pega uma doença, a tendência é que depois de algum tempo ela desenvolva anticorpos capazes de combatê-la. Uma vez que você desenvolve estes anticorpos, novas contaminações com a doença não são possíveis, já que seu corpo sabe como destruir os vírus ou bactérias que a causam.

A imunidade de rebanho, também conhecida como imunidade de grupo é o nome dado à etapa onde um número grande o suficiente de pessoas já pegou a doença e se tornou imune. Imagine um grupo de 1000 pessoas, onde cerca de 700 pessoas são imunes. Nesse universo o vírus não tem como se espalhar facilmente pois a maioria das pessoas que ele encontrar já estará imune.


Quando um número grande o suficiente de pessoas está imunizada, é muito mais difícil da doença se espalhar.

Estima-se que para adquirir a imunidade de rebanho necessária para paralisar a reprodução do SARS-Cov-2, 60 a 80% da população precisa ter passado pela doença. Isso significa que, no Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, precisamos esperar que pelo menos cerca de 120 milhões de pessoas contraiam Covid-19 para que a pandemia se erradique.

Enquanto escrevo essa matéria, os números oficiais são de apenas 1.6 milhões de contaminados. Há estudos que indicam que apenas 1 a cada 17 contaminados são percebidos, logo nosso número pode ser de 27 milhões de infectados, o que ainda é muito pouco.

O pesquisador Atila Iamarino algum tempo atrás apresentou um estudo que indica que o mundo só alcançará a imunidade de rebanho em 2022, por isso precisamos MUITO de uma vacina!

Sobre o funcionamento das vacinas

A maioria das vacinas é composta de um vírus enfraquecido que fará seu corpo desenvolver os anticorpos sem que você tenha os sintomas da doença. A estratégia da vacina é acelerar o processo de imunidade de rebanho impedindo a proliferação das doenças.

Existem quatro vacinas muito promissoras contra o novo coronavírus em desenvolvimento, vamos detalhas as informações públicas que temos delas.

A produção das vacinas passam por três fases:

1ª Fase - O desenvolvimento da vacina em laboratórios através de testes invitro.

2ª Fase - O teste da vacina em animais para identificar se eles desenvolvem os anticorpos.

3ª Fase - O teste em humanos, para identificar se nós desenvolvemos os anticorpos e, mais importante, se a vacina revela algum efeito colateral.

A vacina de Oxford

É uma vacina de origem britânica, licenciada pela farmacêutica AstraZeneca. Ela entrou na terceira fase de testes em Abril, ou seja, é a vacina que está mais próxima de ser concluída.

No início de Julho, a pesquisadora brasileira Sue Ann Costa Clemens se tornou responsável pelos testes no Brasil, onde 5.000 voluntários receberão uma dose da vacina e serão acompanhados durante algum tempo para identificação de efeitos colaterais.

O ponto "contra" dessa vacina é que, apesar da AstraZeneca ter sede no Brasil, a vacina provavelmente será muito mais cara do que as outras soluções. Como a previsão de testes é de um ano, é possível que a vacina só comece a ser produzida em Abril de 2021, embora surpresas possam acontecer no caminho.


A Universidade de Oxford existe desde 1167

A CoronaVac

Uma vacina que está sendo produzida em parceria entre o Instituto Butantan e um laboratório chinês chamado Sinovac. De todas as vacinas produzidas é a que mais dá esperanças aos brasileiros, pois se comprovada sua eficácia ela será produzida em larga escala em nosso país e distribuída gratuitamente pelo SUS.

A CoronaVac entrará na terceira fase de testes dia 20 de Julho e, numa manobra muito inteligente, os voluntários (9000 ao todo) precisam ser da área da saúde, pessoas que atendam pacientes de Covid-19. Ao utilizar pessoas que estão o tempo todo expostas ao vírus, acredita-se que teremos a certeza de sua eficácia de forma muito mais rápida do que através de voluntários comuns.

Estima-se que, se os resultados forem favoráveis, já em dezembro iniciaremos a vacinação da população.

As outras duas vacinas

Não há muitas informações disponíveis, mas sabemos que outras duas vacinas estão entrando na fase 3 de testes até setembro. Uma delas é de uma outra farmacêutica chinesa e a segunda, de uma empresa alemã.

Até onde se sabe, não serão realizados testes de fase 3 no Brasil para essas vacinas, mas elas são uma boa esperança para o mundo caso as duas vacinas citadas acima falhem na terceira fase.

O desafio da imunidade contra o SARS-COV-2

Agora vai o banho de água fria. Como a doença é muito nova, não se sabe ao certo se, uma vez que o corpo gera anticorpos contra o vírus, esses anticorpos se estabelecem no seu corpo.

Existem alguns relatos de pessoas que contraíram a doença duas vezes, porém em todas elas há a possibilidade da pessoa não ter sido curada completamente. Os estudos nessa área ainda são muito nebulosos.

Os anticorpos de muitos tipos de gripe duram apenas um ano em seu corpo e, por isso, todos os anos há campanhas de vacinação. Se esse for o caso desse coronavírus, a erradicação da doença através da vacina será muito satisfatória, pois se toda a população for vacinada de uma vez, o vírus será praticamente erradicado e, nos anos seguintes, voltará com uma ação bem mais fraca, como é a maioria das gripes hoje.

Porém, se a imunidade durar apenas alguns poucos meses, precisaremos criar várias ondas de vacinação, o que, apesar de não impossível, agravará ainda mais a crise financeira em que nos encontramos.

Vamos torcer pelo melhor.


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