Explicando por que a youtuber racista está fora da realidade

Por Andrés Calil em 10 de Junho/2020 às 17:04

Apareceu na minha timeline um vídeo bastante polêmico de uma youtuber comentando sobre racismo e criminalidade. Antes de mais nada, prefiro não colocar o vídeo nem citar o nome da youtuber, mas caso você queira assistir, pode clicar nesse link e vários resultados com certeza aparecerão.

Dito isso, vamos ao que importa. No meio de todos os absurdos que ela diz, uma frase se destaca por tentar criar uma ligação lógica:

"A maioria dos crimes são cometidos pela população negra ... estatisticamente crimes são mais causados pela população negra"

Antes de tudo eu tenho certeza que tem gente que vai concordar com esse disparate. Além disso acredito que pessoas que sequer se consideram racistas, pessoas que são boas de um modo geral podem concordar com ela por ignorância. Por esse motivo eu escrevi essa matéria.

1° - Estatísticas dos crimes

Dessa forma o pensamento é simples: Se 60% da população for negra e 60% dos crimes forem cometidos por negros, negros não estarão cometendo mais crimes que brancos. Peguei alguns dados da população carcerária no site da Câmara Legislativa:

No gráfico a palavra "negro" reúne pretos e pardos.
A fatia roxa representa outras etnias de 1% ou menos.

À primeira vista há realmente uma população carcerária negra maior, mas dizer que a maioria dos criminosos é negra é um exagero tremendo. A discrepância de 8% quase se enquadra como margem de erro.

Porém essa diferença existe. A alegação da youtuber está certa? Na verdade não. Vamos entender isso melhor nos próximos dois tópicos.

2° - Pirâmide Social

Existem pessoas de má índole espalhadas por todas as classes sociais, creio eu, em mesmo percentual. A diferença é o tipo de crime que elas praticam.

Obviamente uma pessoa de classe média-alta não vai entrar de moto em um posto de gasolina portando uma arma para assalta-lo, muito menos vai atuar como aviãozinho levando drogas pra lá e pra cá, e são desses criminosos que as cadeias estão mais cheias.

Por outro lado, o tipo de crime que as classes sociais mais altas, indiferente da cor, cometem é mais complicado de identificar. Incluem sonegação, maus tratos a subordinados, desvio de valores dentro de uma empresa e mesmo corrupção política. Em outras palavras, são crimes que dificilmente levam o criminoso à cadeia.

Segundo essa matéria do UOL, negros representam 75% dos mais pobres do país enquanto os brancos, 70% dos mais ricos. Em conclusão fica claro que a maioria dos negros de má índole vai cometer os crimes que mais enchem as prisões, enquanto a maioria dos brancos de má índole vai cometer crimes mais difíceis de serem pegos, não pela cor, mas pela classe social em que se enquadra.

A dificuldade de ser pego nos leva pro próximo ponto, que é o racismo propriamente dito.

3° - Racismo

De antemão todos sabemos que a polícia aborda negros na rua com muito mais frequência do que brancos. É bem possível que em uma blitz qualquer, um negro pai de família tenha sido parado e revistado enquanto um branco com o carro cheio de drogas passasse tranquilamente a dois metros do enquadro.

Dessa forma se cria um círculo vicioso muito perigoso: Se a polícia só revistar negros, ela só prenderá negros. Se ela só prende negros, os dados fazem parecer que negros cometem mais crimes do que brancos, e que a opinião da mulher do vídeo está correta.

Somamos isso à essa matéria do NY Times, que mostra que negros tem maior chance de serem condenados em tribunal, mesmo tendo cometido mesmos crimes que brancos e à que conclusão chegamos?

Conclusão

Negros não cometem mais crimes do que brancos.

Eles são apreendidos e condenados mais vezes do que os brancos. A maioria dos negros cometem crimes mais perceptíveis que a maioria dos brancos. Em outras palavras, somando todos os fatores como classe social, perseguição pela polícia e maior probabilidade de serem condenados em um tribunal, ouso dizer que uma taxa de população carcerária 8% maior é extremamente pequena.

Por último, peço que você compartilhe essa notícia com quem talvez precise de fatos e números para entender o quão errada a youtuber estava em seu infeliz comentário. Se uma única pessoa for convencida disso, o tempo que eu perdi escrevendo essa matéria terá valido a pena.


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