Vale a pena maratonar Luna Nera?

Por Andrés Calil em 06 de Maio/2020 às 11:15

Quando eu vi que essa série era italiana, medieval e com bruxas, não resisti! E apesar de não deixar de ser um novelão italiano não me arrependi de perder algumas horas assistindo.

Roteiro clichê, mas divertido

Luna Nera (ou Lua Negra, em português) se passa no século 17, época em que qualquer mulher que responder a um homem será acusada de bruxaria. É bom salientar que a série é produzida exclusivamente por mulheres: Roteiro, direção e produção, então ela irá abordar temas delicados como a inquisição e o machismo da época, que ainda pode ser visto hoje em algumas situações.

Ade e Pietro são um show de clichê: amor proibido à primeira vista: Ela é uma bruxa e ele é filho do líder dos caçadores de bruxa.

Em meio a esse complexo mundo acompanhamos a história de uma moça chamada Ade, que está aprendendo a ser parteira com sua avó. Todavia Ade tem uma visão de que o filho do capitão da cidade vai nascer morto. Contudo quem assume a culpa do boato que rapidamente se espalhou é a avó da menina, que acaba indo para a fogueira.

O grupo de caçadores de bruxas da cidade cobre o rosto quando sai para caçar. Caso alguém cometa algum crime, não será identificado.

Imediatamente Ade e seu irmão mais novo fogem para a floresta onde são abrigados por um grupo de bruxas. Ao mesmo tempo a história segue com confrontos entre os caçadores de bruxas da cidade e as bruxas da floresta tentando resgatar prisioneiras. Além disso o roteiro envolve alguns romances pastelões como amor à primeira vista e um vilão que também bruxo, porém se passando por padre que realiza milagres e é adorado pela cidade.

Ade (Antonia Fotaras) aprendendo magia com Tebas, a líder do coven de bruxas e interpretada por Manuela Mandracchia

Na prática, qual a diferença entre um milagre e a bruxaria? A pessoa que realiza?

Os efeitos e figurino são ótimos.

Os efeitos especiais são na maior parte do tempo muito bons e os bruxos têm poderes que parecem saídos de jogos de videogames. Nesse sentido criam domos de força para se defender ou desferir ataques poderosos são alguns deles. Até os trouxas não bruxos podem usufruir desses poderes se estiverem portando armas mágicas.

Finque a espada no chão e uma onda vai atingir seus inimigos! Power Wave?

O visual dos personagens também não deixa a desejar, tanto que o visual dos caçadores que me chamou a atenção enquanto zapeava a Netflix. Igualmente o visual de Tebas, a líder das bruxas, foi muito bem escolhido e passa o clima perfeito para a personagem.

Os caçadores de bruxa estão sempre à espreita.

Apesar de a quantidade de clichês que incluem até mesmo as bruxas estarem esperando “A escolhida”, a série tem algumas reviravoltas bastante surpreendentes e um final muito corajoso. Se os pontos forem mantidos – e se a série não for cancelada – teremos uma segunda temporada com inversão de papéis completa.

Bônus: Curiosidades sobre a Stregheria

Ouvir tanto a palavra “Stregha”, que na verdade significa “bruxa” em italiano, me fez lembrar de um antigo movimento religioso ao qual conheci há muitos anos. Bruxas que tentavam restaurar a antiga religião pagã baseando-se nas tradições italianas.

Hoje não acredito em nada disso, mas a stregueria tinha um movimento muito mais roots do que religiões pagãs atuais. Os rituais eram simples e rústicos, como a “nona” pingar azeite numa tesoura e cortar um fio de cabelo curar dor de cabeça.

Eu que cresci numa família italiana e vi minha mãe colocar lã vermelha na testa para fazer passar soluço não pude deixar de me maravilhar com essas doces superstições.

Se você for um estudante de ocultismo talvez valha a pena procurar algo sobre.

 
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