O Poço - Crítica

Por Andrés Calil em 26 de Março/2020 às 13:07

Antes de mais nada, quando aparece um filme de terror/suspense europeu eu não costumo perder tempo para assistir. É o meu gênero preferido e produções não-americanas fogem dos clichês que estamos acostumados. Quando vi que esse filme era espanhol, logo corri para ver.

E o filme é surpreendentemente bom. Você acompanha Goreng (que parece muito o Visconde de Sabugosa, mas algo me diz que ele foi escolhido para se parecer com Dom Quixote) um homem que foi preso voluntariamente no “Poço”, uma estrutura de vários andares onde os prisioneiros se alimentam apenas uma vez por dia.

A comida vem em uma plataforma que vai descendo andar por andar, ou seja, só se consegue comer o que seus vizinhos de cima deixarem.

Daí vem os conflitos, quem está em cima come bem, quem está abaixo come mal, ou não come nada. Dessa forma as pessoas dos andares mais baixos precisam se virar para sobreviver e essa é a tensão do filme.

A tensão e aflição que o filme proporciona fazem valer a pena assistir, apesar do final não ter me agradado muito.

A metáfora é clara, a prisão representa nossa sociedade, as pessoas de classes mais baixas sempre se ferram (quem lembra do Xibom Bombom?) . Como resultado as pessoas de cima desprezam as de baixo, indiferente do andar que você esteja.

Mas se você se aprofunda nela, outras percepções aparecem, mas aí tem spoiler!

Spoilers abaixo! Só leia se você assistiu, ou está muito interessado nas metáforas:

Então você tem uma crítica inicial ao capitalismo: Quem está nos andares superiores tem vantagens. Mas quando os personagens tentam algo como o comunismo, distribuir igualmente os alimentos, a coisa não funciona também, e eles são obrigados a bater e matar pessoas no processo (exatamente como aconteceu nos países comunistas).

Então não é exatamente uma crítica a um sistema de governo, e sim ao ser humano em si.

E, pior, o filme a princípio dá a entender que se todo mundo pegar só o que precisa, sobra comida para os que estão nos andares mais baixos… Porém que quando os personagens tentam fazer essa distribuição, a comida não dá pois o poço tem muito mais andares do que eles imaginavam.

Desvendando o final do filme O Poço

O protagonista decide que vai enviar um prato inteiro de volta ao topo como forma de protesto, porém quando ele chega no fundo do poço, encontra a menininha, e a manda junto com a panacota. O filme acaba aí? Na verdade sim e não.

Primeiro ponto: Seria impossível que alguém sobrevivesse no fundo do poço por mais de sete dias, pois é nosso limite sem comida, logo a menina provavelmente era uma alucinação.

Agora, a parte triste é que no início do filme há uma cena fora da cronologia, que você só entende bem quando assiste a segunda vez. A cena da cozinha acontece após o final do filme.

O que indica que Goreng chegou ao fim do poço e enviou a panacota de volta para o topo. Quando a cozinha a recebeu, pra tentar identificar por que a sobremesa não foi comida, descobriram um fio de cabelo. Os cozinheiros realmente acharam que ninguém comeu o doce por conta de um fio de cabelo! A mensagem de Goreng não foi enviada com sucesso!

Trágico!

Fim dos spoilers!

 

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