A misteriosa Máquina de Antikythera, o computador da Grécia Antiga

Por Andrés Calil em 11 de Junho/2020 às 08:05

Também conhecido como Mecanismo de Anticítera, o artefato tecnológico tem mais de dois mil anos de idade é um dos maiores mistérios do mundo.

Como foi descoberta?

Por volta de 1900, um grupo de catadores de esponjas marinhas foi atingido por uma enorme tempestade e, por tanto, foram se abrigar na ilha mais próxima: Anticítera, na Grécia.

Todavia quando a tempestade acalmou os catadores resolveram mergulhar naquela região, e a cerca de 40 metros de profundidade encontraram uma antiga Galé Romana.

Galé é um tipo de barco movido à remos. Do seu nome derivou o Galeão.

A princípio os catadores encontraram dentro da Galé diversas estátuas de bronze e mármore, algumas em ótimo estado de conservação, outras nem tanto. Porém entre os destroços haviam também 82 peças corroídas que não pareciam pertencer a nenhuma estátua.

As peças foram então levadas para um museu de Atenas onde foram consideradas um mistério, pois pareciam engrenagens de uma máquina, e as análises de objetos encontrados juntos com a embarcação de cerca de 50 a.C.

Em síntese eles tinham em suas mãos uma máquina complexa de 2000 anos de idade

Analisando a Máquina de Antikythera

Apenas cinquenta anos depois se deu início a tentativa de reconstrução da máquina. Um físico inglês chamado Derek John de Solla Price começou o trabalho, mas não foi possível concluir por conta do desgaste e calcificação das peças.


A máquina hoje se encontra em exposição no Museu Nacional de Arqueologia da Grécia

Posteriormente, em 1970, a tecnologia de raios-X permitiu analisar o interior de algumas partes e recomeçar a reconstrução do misterioso objeto que, agora se sabia, tinha 27 engrenagens em seu interior.

O mecanismo de Antikythera possuía também marcações e números entalhados em seu corpo, incluindo nomes de festivais gregos e até dos jogos olímpicos.

Para que o mecanismo servia?

Conforme as análises foram avançando, foi se descobrindo diversas utilidades do mecanismo que, a princípio, era uma espécie de marcador de tempo, como se fosse um relógio cujos ponteiros, ao invés de marcar uma sequência de 12 horas, marcava detalhadamente um período de 19 anos.

Nesse sentido 19 anos é o mais baixo período de tempo em que o ano solar coincide com os meses lunares, período conhecido como ciclo Metônico. Em outras palavras, com o aparelho os gregos conseguiam prever os movimentos da Lua ao redor da Terra, o movimento dos cinco planetas conhecidos até então e até prever eclipses.

Além disso a máquina não só podia prever quando uma eclipse iria acontecer, como em que horário e posição no céu ela aconteceria.

O mais impressionante é que a Lua tem uma trajetória elíptica, pois viaja mais rapidamente quando está perto da Terra, então uma engrenagem redonda nunca poderia acompanhar seus movimentos. Pra corrigir esse problema haviam pinças dentro do mecanismo que reduziam a velocidade das engrenagens no momento certo, fazendo com que a previsão continuasse perfeita.

Além disso ela também marcava as datas dos Jogos Olímpicos, Jogos Píticos, dos Jogos Nemeus e dos Jogos Ístmicos. Pois é, os gregos adoravam jogos.

Quem construiu?

Se sabe que era um objeto grego de cerca de dois mil anos atrás. Outras evidências da máquina sugeriam que o construtor era um coríntio e que vivia na cidade de Siracusa.

Por coincidência ou não, dois mil e duzentos anos atrás, na cidade de Siracusa viveu um dos maiores gênios da matemática da história: Arquimedes.

Arquimedes foi um engenheiro grego que conseguiu calcular de forma quase exata a distância entre a Terra e a Lua, inventou diversos itens de utilidade da época e aprimorou o uso de tantos outros, sendo conhecido também por construir uma catapulta com mira precisa.

A parte triste da história é que quando a Grécia foi tomada por Roma, a maior parte do seu conhecimento se perdeu, e então veio a idade das trevas colocando todo o avanço tecnológico em hibernação.

Tanto que a sociedade atual só teve a capacidade de construir um aparelho tão complexo quanto a Máquina de Antikythera por volta do ano 1500. Esse foi o período que paramos no tempo.

Imagine que, sem a queda da Grécia antiga, nossa tecnologia atual poderia estar 1500 anos no futuro, e poderíamos já estar visitando outros planetas. Entristecedor, não?


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